sábado, 16 de agosto de 2014

Prática da Justiça

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles...”

Mateus 6.1


“Hipócrita”: ator, aquele que finge ser alguém.
No texto de Mateus 6.1-17, Jesus condena a “religiosidade” externa.
Primeiramente é preciso deixar claro que devemos exercer nossa “justiça” diante dos homens. Deus não quer que vivamos isolados do mundo, pelo contrário (Mt 5.13-16). Jesus não está condenando esmolas, oração e jejum. O que está errado não é o ato em si, mas a motivação. Jesus adverte que quem agir assim não terá galardão (recompensa da parte de Deus). Humildade e não orgulho é a base da comunhão com Deus.
Dito isto, o Senhor dá 3 exemplos, situações de como praticar isto: 1º) “Quando deres esmola” (v.2) – em vez de ficar se gabando, deve-se ser discreto.
2º) “Quando orardes” (v.5) – não se destacar no meio de outras pessoas, para chamar atenção para si, mas ir para um lugar isolado, particular. Ele também diz para não ficar repetindo os pedidos, pensando que vai ser atendido se insistir. Deus já de nossas necessidades. Então, Ele dá um modelo de oração (sem repetições, mas com humildade e submissão).
3º) “Quando jejuardes” (v.16) – em vez de fazer cara de quem está jejuando, deve se lavar para que outros não percebam que você está jejuando.
Em terceiro lugar, vemos as consequências ou resultados de cada proceder, de acordo com sua motivação: a) Os que querem aparecer e chamar a atenção das pessoas: “já receberam a sua recompensa”- v. 2, 5 e 16. Já receberam o “aplauso” dos homens, por isto, não vão receber nada de Deus; b) Os que estão interessados em agradar a Deus: “o Pai, que vê em secreto, te recompensará”- v. 4, 6 e18. Estes vão receber o galardão (recompensa) de Deus (v.1).
A lição para nós é que Deus observa não só o que fazemos, a nossa ação (o exterior), mas também observa a nossa motivação, a intenção, (o interior). Ele vê o nosso coração e sabe quem de fato estamos querendo agradar, se a Ele, ou se a nós mesmos.
Você tem vivido para agradar a Deus, ou tem praticado atos apenas para ser elogiado e aplaudido pelos outros?
José no Egito se preocupou apenas em ser aprovado por Deus. Paulo diz que tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer), deve ser para glorificar a Deus. E em Romanos 12.1-2, diz que o nosso viver deve ser um culto constante a Deus.
Rev. Jonas M. Cunha

sábado, 9 de agosto de 2014

Amando os Inimigos

“Eu. Porém, vos digo: amai os vossos inimigos...”
Mateus 5.44



Na conclusão do capítulo 5 de Mateus, Jesus diz algo surpreendente: “sejam perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito” (v.48). Como ser perfeito, se sou pecador, mal e imperfeito? Faço coisas más, ou que não deveria fazer (ex.: gula); falo coisas que não deveria falar (palavrões, mentiras, falar mau de alguém; vejo coisas que não deveria ver (na tv, e internet); tenho atitudes que não deveria (calar diante da injustiça); sentimentos e desejos (desejar o mau para alguém); pensamentos (julgamentos precipitados).
Minha natureza decaída não permite que eu passe um dia sem pecar. Como Jesus espera que eu seja perfeito? E, não apenas perfeito como  Noé, Davi ou Paulo, mas como o Pai celeste!
Sim, estamos num processo de santificação e somos estimulados na Palavra de Deus a nos desenvolver, progredir, crescer espiritualmente  - “... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12b). Confira também: 2 Pe 3.18; 1Pe 2.2; Ef 4.24. Mas sabemos que só na glorificação seremos livres da presença do pecado e atingiremos a perfeição e santidade completas (Rm 8.30).
 Ao que, então, Jesus está se referindo? Não a sermos sem pecado, mas, sim, “maduros e completos na semelhança a Deus” (Bíblia Anotada). Ele aponta para a absoluta perfeição do amor de Deus como alvo do crente (Bíblia Vida Nova). O padrão que Deus exige de seu povo é Seu próprio caráter perfeito. A perfeição de Deus inclui o amor da graça benevolente. Mesmo que essa perfeição não seja atingida nesta vida, ela é o objetivo daqueles que se tornam filhos do Pai (Bíblia de Genebra).
Jesus contrata o “amor” com o “ódio” (v.43). O A.T. não diz que devemos odiar o nosso inimigo. Isto era a falsa conclusão derivada do ensino dos escribas, inferido da estreita compreensão daquilo que significava “próximo”, que para eles era simplesmente um outro judeu. Jesus mostra que a verdadeira intenção de Lv 19.18 é incluir até os inimigos (Lc 10.29-37). O nosso padrão (modelo) é o amor de Deus “que faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre os justos e injustos” (v.45). Ele ama a todos e faz o bem a todos, e caso não hajamos da mesma forma, seremos parecidos com os publicanos e gentios, e não como o Pai celeste (v. 46 e 47).
A Bíblia de Jerusalém traduz “para que vos torneis”, diferentemente: “desse modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus” (v 45). É amando os inimigos que mostramos que somos filhos de Deus, pois este modo de agir é parecido com o dEle.
Rev. Jonas M. Cunha

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vencendo a Vingança

“...Qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra”. Mateus 5.39

Recentemente o governo brasileiro pronunciou-se sobre os ataques de Israel à Faixa de Gaza como sendo “desproporcional”. Isto, verifica-se, frequentemente, no cotidiano das nações e também das pessoas, porque a tendência humana é de se vingar “a mais”.
No trecho de Mateus 5.38-42, Jesus aponta para o fato de ser citado a lei “olho por olho, dente por dente”, Levítico 24.19 e 20. E, lembra que o propósito era promover a justiça exata, mas não a vingança, e que a mesma dizia respeito à justiça pública, e não à vingança particular. Na maioria dos casos, a pessoa culpada tinha permissão para dar uma justa compensação pela avaria, pela ferida ou pela perca.
A “lex talionis” (lei da retaliação), referida primeiramente em Êxodo 21.12-36 (especialmente v. 23 e24), era a punição que visava equiparar o castigo à ofensa, e o meio de terminar com disputas e rixas. Mas Cristo mostrou um outro meio de fazê-lo.
 “Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso” (v. 39). Jesus se contrapôs àqueles que viam neste princípio base para a vingança pessoal. Temos exemplos na Bíblia, como Abraão, foi libertar seu sobrinho Ló, embora este se revelasse cobiçoso. José, que generosamente perdoa seus irmãos. Davi, que por 2 vezes poupa a vida de seu perseguidor Saul. Estevão, ao ser apedrejado (At 7.60). E o próprio Cristo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
Mesmo compelido por força a fazer alguma coisa por alguém (v.41), a pessoa pode demonstrar liberdade para fazer voluntariamente mais do que foi exigido, ao invés de fazer o serviço com má vontade.
Os fariseus apelavam para a lei de talião a fim de justificar a retribuição e a vingança pessoais. Citavam esse mandamento com o fim de destruir o seu próprio propósito. Entretanto, o Antigo Testamento já proibia a vingança pessoal (Lv 19.18; Pv 20.22; Pv 24.29).
Jesus está condenando o espírito de desamor, de ódio e de desejo de vingança. Assim, o que ele ensina são atitudes que, em vez de demonstrar (com palavras e atos) que se está cheio de espírito de rancor, demonstram amor.
Não temos o direito de odiar a pessoa que tenta nos privar de nossas posses (v.40). Nosso coração deveria encher-se de amor por tal pessoa e isto deveria revelar-se em nossas ações.
Enfim, em vez de nos vingarmos, deveríamos vencer o mal com o bem, surpreendendo os outros como o modo como os filhos de Deus reagem. Veja Romanos 12.17-21. Isto sim é evidência de uma vida transformada, e traria glória ao Pai celeste.
Rev. Jonas M. Cunha

Falso ou Verdadeiro

“De modo algum jureis...”. Mateus 5. 34


Muitas pessoas prometem que irão fazer uma coisa e não cumprem. Os judeus no tempo de Jesus costumavam jurar para que as pessoas dessem crédito às suas palavras.

Jesus chama a atenção dos Seus ouvintes, no Sermão do Monte, dizendo: “Ouviste que foi dito ...Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos”. Ele se referia ao 3º Mandamento do Decálogo e mais especificamente a Levítico 19.12: “Nem jures falso pelo meu nome; pois profanaríeis o nome do vosso Deus: Eu sou o SENHOR”. O foco do mandamento era na verdade: “Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com seus feitos” Cl 3.9. Deus proíbe a mentira, o engano e falsos testemunhos.
Porém, a ênfase que os fariseus davam era “não jureis falso pelo meu nome”, em vez de ser “não jureis falso”. Ou seja, somente o juramento que usasse o nome do Senhor não podia ser quebrado, mas os demais, podiam. Então eles juravam por outras coisas: pelo céu, pela terra, Jerusalém e pela própria cabeça (Mt 5.34-36). Porém Jesus mostra que jurar por estas coisas era o mesmo que jurar por Deus. Mas o que Jesus queria era que Seus discípulos fossem tão verdadeiros, que não precisassem ficar jurando, para que os outros acreditassem neles. Sua ênfase está na veracidade no coração “O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade” (Sl15.2).
Jesus não está proibindo o uso de qualquer juramento, mas daquele que não procede de um coração sincero, está se referindo a um legalismo estreito e enganador, que exige um juramento para obrigar o cumprimento daquilo que foi falado. Temos vários exemplos de juramento na Bíblia (Gn 14.22-24; 31.53, etc), o próprio Deus jurou (Sl132.11). Porém, há uma distinção entre os momentos solenes, como diante de um tribunal, e na conversa do cotidiano.
Ser honesto e verdadeiro é o que o Senhor espera de nós: ”Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo...” (Ef 4.25).  
Rev. Jonas M. Cunha

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Bênção de Deus Enriquece

“A bênção de Deus enriquece, e, com ela, não traz desgosto”. Provérbios 10.22


A teologia da prosperidade está em alta. Essa interpretação, entretanto, está em desacordo com a Palavra de Deus.

Há ricos pobres e pobres ricos. John Rockfeller disse que o homem mais pobre que conhecia era aquele que só tinha dinheiro.
 Os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. 
 Não postulamos a teologia da prosperidade nem a teologia da miséria. A pobreza não é uma virtude nem a riqueza um pecado. A Bíblia é categórica em afirmar que a bênção de Deus enriquece, e, com ela, não traz desgosto.
 Deus é a fonte de todo bem. Dele procede toda boa dádiva. É Deus quem fortalece as nossas mãos para adquirirem riquezas. Riquezas e glórias vêm das mãos de Deus.
 A riqueza de Deus dá não é fruto da desonestidade. Não é produto do roubo nem da corrupção. A riqueza que Deus dá é fruto da bênção que vem do céu e do trabalho honrado feito na terra.
 Essa é uma riqueza que não traz desgosto nem tira o sono. Sua fonte é limpa, sua natureza é santa, seu propósito é sublime.
Extraído de Cada Dia
Rev. Jonas M. Cunha

domingo, 13 de julho de 2014

Aprofundando a Exigência da Lei

“Ouviste que foi dito... Eu, porém, vos digo...’’ Mateus 5. 27, 28


Após colocar o assunto sobre o cumprimento da lei, nos versos 17 a 20 do capítulo 5 de Mateus, Jesus vai explicar melhor e dar exemplos, pois apesar de Seus seguidores não serem justificados pela obediência à Lei, não são dispensados de observá-la, pelo contrário: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (v.20).

Ele deixa claro que a essência da Lei se identifica com a essência do Evangelho. Ambos têm sua origem, sua fonte em Deus, e revelam o caráter elevado que Deus espera de Seus filhos: mais do que atos exteriores aceitáveis, ou observações de regras, sem que sejam feitos à partir de um coração comprometido com o Senhor e o Seu Reino.
Como exemplo disto, Ele fala dos versos 27 a 32 a respeito da observação do 7º mandamento da lei, dada através de Moisés – “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém vos digo...” (v.27, 28a).
Jesus aprofunda a exigência da lei, não só quanto a limitação do mandamento mosaico que, à rigor, referia-se apenas a pessoas casadas, mas também quanto a sua observação apenas sobre o aspecto exterior e concreto do pecado, voltando o Seu olhar para o interior, para o coração da pessoa  - “qualquer que olhar ... com intenção impura, no coração, já adulterou ...” (v.28b).
A grande questão aqui não é sentir ou ter desejo sexual, pois o próprio Deus nos criou com este impulso, para a procriação da espécie humana, e para felicidade de Suas criaturas e ainda para glória Dele. Mas, também, nos criou seres morais e responsáveis, desejando que o sexo seja praticado dentro do padrão estabelecido por Ele (casamento).
Nos versos 29 e 30, Jesus ensina que a castração ou mutilação não resolve o problema, pois embora possa impedir o pecado quanto ao aspecto externo, não adianta nada quanto ao aspecto interno. O problema está na intenção, no coração do ser humano. Esta idéia tem base semelhante com aqueles que pensam que para se santificar e fugir das tentações, devem se isolar do mundo, vivendo em comunidades só de crentes, ou em monastérios.
Isto, porém, vai contra a idéia expressa na oração de Jesus “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17.15), e contra aquilo que Ele ensinou antes, no próprio sermão do monte: “vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo... Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5. 13, 14 e 16).
O que Jesus demonstra aqui nesta passagem, é que o Seu ensino não contradizia o do Velho Testamento, antes, o aprofundava. Seu objetivo é deixar claro o princípio por traz do mandamento. Não adianta “estar de acordo com a lei” apenas exteriormente, devemos viver de modo a agradar a Deus, não só preocupado em cumprir regras, mas que os nossos atos e palavras sejam expressão do caráter (interno) de um verdadeiro filho de Deus.
Rev. Jonas M. Cunha

terça-feira, 8 de julho de 2014

Restauração

“Vinde repousar um pouco...’’ Marcos 6.31



Quando os doze voltaram para casa, após um período agitado de ministério público, fizeram seus relatórios, e disseram a Jesus tudo quanto haviam feito e ensinado (Mc 6.30). É extremamente significativo que o Senhor não os empurrou de volta à ação, nem os espicaçou para iniciar novo empreendimento. Na verdade, nunca lemos que alguma vez ele sofresse de “afobação e pressa”. Nunca!

“Ele lhes disse: Vinda vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer. Então foram sós num barco para um lugar solitário.” Marcos 6.31-32 (Edição Contemporânea da Tradução de João Ferreira de Almeida).
Descanso e restauração não constituem luxo; são necessidades essenciais. Ficar a sós e descansar durante um período não é egoísmo; é ser parecido com Cristo. Pegar um dia de folga por semana, e presentear-se com um período de férias relaxantes e revigorantes não é carnal; é espiritual.
Nada há, nada absolutamente nada de invejável ou espiritual em coronárias entupidas, ou nervos esfrangalhados. Tampouco um programa ultra-ativo é, necessariamente, marca de uma vida produtiva. Podemos aprender com a natureza. Após a colheita sempre se segue um período de descanso; a terra precisa de algum tempo para renovar-se. A produção constante, sem restauração, esgota os recursos e, na verdade, diminui a qualidade do produto.
Você que é um grande realizador e viciado no trabalho vai enfrentar barreiras para deixar este ritmo desenfreado: 1. Falsa culpa – você vai sentir umas agulhadas de culpa ao dizer “não” às pessoas a quem você estava acostumado a dizer “sim”; 2. Hostilidade e incompreensão da parte dos outros – a maioria das pessoas não vai entender sua decisão no sentido de diminuir o ritmo, especialmente, aquelas que se encontram no barco do qual você está tentando sair; 3. Perspectivas pessoais dolorosas – não podendo preencher cada momento livre com algum tipo de atividade, você começará a ver seu verdadeiro eu, e não vai gostar de algumas coisas que antigamente contaminavam sua vida agitada. Entretanto, em pouco tempo, você dobrará a esquina e estará na estrada que o conduzirá a uma vida mais sadia, mais livre e mais plena de realizações.
É obvio que está conversa sobre descanso e restauração pode ser levada a outro extremo. Nenhum desses extremos é correto. Meu desejo é que todos permaneçamos no ponto da sabedoria. No equilíbrio. Com a mente certinha. Com boa saúde. Na vontade de Deus. Como você está?
Este momento de calma e reflexão é o que Davi tinha em mente quando escreveu a respeito de “pastos verdejantes” e “águas de descanso”. Beba em tranqüilidade! Usufrua tanto quanto puder da presença do seu amado Pastor.
Adaptado de livro “A Busca do Caráter” – Charles Swindoll

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Perdão

“...Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós.’’ Colossenses 3.13 b


Vemos famílias sendo destruídas por causa do ódio de uns pelos outros, parentes que não se falam mais devido a alguma desavença no passado. Disputas judiciais quanto a herança, bens ou guarda dos filhos em que o desentendimento é tão grande que não existe mais espaço para o diálogo e o respeito. Entre as nações não é diferente. O ódio e as disputas engatilham as inúmeras guerras.  Diante desta realidade só existem duas opções para encararmos esses fatos: ou perdoamos ou adoecemos.

No trecho de Mateus 18.23 a 35, Jesus trata desta questão do perdão. Um súdito foi perdoado pelo rei  de uma dívida muito grande, que ele não tinha condições de pagar. Era o equivalente a soma dos impostos recolhidos de todo Império Romano por 13 anos, cerca de 350 toneladas de ouro. Precisaria trabalhar 150 mil anos para conseguir quitar essa dívida.

                Esse primeiro trecho (v. 23 ao 27) nos remete ao grande amor de Deus por nós. Sendo Deus santo e todo o homem pecador, é impossível para nós pagarmos nossa dívida com Ele, pois todos somos culpados de não cumprir a Lei de Deus. “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4b).
A narrativa continua e vemos que esse servo que foi perdoado encontrando um conservo que lhe devia 100 denários, não agiu da mesma forma, muito pelo contrário, foi cruel sufocando-o e levando-o para a prisão. Esse valor equivaleria a 3 meses de trabalho, algo que poderia ser quitado.
Ao saber do que havia acontecido o rei repreendeu aquele aquém tinha perdoado (v. 32 e 33). Esse trecho representa as nossas dívidas uns com os outros. São ínfimas perto do grande débito que tínhamos com Deus, portanto, se Deus assim nos perdoou de uma dívida imensa por que negamos o perdão a nossos semelhantes? Mas esse ato não ficou impune (v. 34-35). O que é ser entregue aos verdugos (ou carrasco)? Pode significar a nossa própria consciência que nos atormenta. Enquanto não resolvemos nosso sentimento de mágoa e ódio nosso coração fica cada vez mais adoecido.
Por que não conseguimos de fato viver esse perdão? A igreja é a comunidade de pessoas que foram perdoados pelo sangue do Cordeiro. Gente imperfeita que ainda luta contra o pecado. Por isso o perdão é vital para mantermos um relacionamento saudável e verdadeiro. A mágoa abre brecha para Satanás causar destruição. Devemos confessar nossos pecados uns aos outros e perdoar uns aos outros. Perdoar é não tratar o faltoso como ele mereceria mas sim com misericórdia. A ideia não é buscar culpados nem procurar saber quem tem razão, isso não importa! Perdoar é cancelar a dívida por completo sem mais acusações ou cobranças.
Não importa se você é o ofensor ou o ofendido. Não podemos dar desculpas e fugir dos que nos magoaram nem daqueles que nós ofendemos. É preciso enfrentar a realidade. O silêncio e o tempo não resolvem a situação. O perdão é a terapia para a alma, a libertação do fardo do ódio e da revolta. O perdão é a chave para cura das feridas do coração. O perdão que recebemos é a medida do perdão que devemos dar.
Presb. Ronaldo L. Cunha

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Retidão Interna

“...Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.”
Mateus 5.20



Nem tudo que aparenta estar correto pode ser considerado certo! Quando um aluno acerta várias questões na prova pode ser motivo de alegria para o professor porque o aluno se esforçou e estudou, justificando assim um bom desempenho. Mas nem sempre é isto que acontece. Muitas vezes ele simplesmente “chutou”, e assinalou a resposta correta, mas de fato, não sabe a matéria, o que mascara a real aprendizagem pelo aluno. O que Jesus está dizendo em Mateus 5.17 a 20 é mais ou menos isto.

Depois de apresentar as características internas do verdadeiro cidadão do céu, isto é, daqueles que são regenerados, através das bem-aventuranças, e de dizer que essa pessoa é sal da terra e luz do mundo, ou seja, que essas características não podem ser escondidas ou passar despercebidas, portanto a atitude interna é acompanhada pela atitude externa.

Agora Ele vai mostrar que estas ações não são opostas a Lei, ou mandamentos do Velho Testamento, por isso o cristão não está desobrigado de observar o que é dito na lei e nos profetas, antes, Ele vai mostrar que é o cristão que realmente conhece a lei porque a pratica não de maneira externa apenas, mas como consequência de ela estar no seu coração.

Ele mostra que a Palavra de Deus não mudou e não vai mudar, antes, o cristão, embora não seja justificado pela lei, cumpre a lei, pois a nova natureza que recebeu está em harmonia com esta lei, pois ambos procedem da mesma fonte: Deus.

Enquanto os escribas e fariseus dão ênfase a conformidade externa com a lei, Jesus chama a atenção de que praticar a coisa certa, sem uma atitude interior adequada, não tem nenhum valor diante de Deus, que conhece e que quer o nosso coração. Acomodar-se a cumprir regras externas, sem se comprometer com as realidades nelas envolvidas, elimina a consciência da graça e da dependência de Deus.

                Nos versos seguintes (21 a 48), Jesus restaura a verdadeira natureza da lei de Deus, e diz que ela obriga total e radical santidade. Ele exige uma mais profunda obediência, e não descaso ao mandamento de Deus. Ele é contra Ação desassociada do coração.                                                             
Rev. Jonas M. Cunha

terça-feira, 17 de junho de 2014

QUEM PRATICA O QUE SABE É FELIZ

“Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” João 13.17


A contradição é uma marca inequívoca do Século 21. Ela é vista em todos os segmentos da sociedade contemporânea. Diante disso, a igreja não está imune a tal paradoxo. Hoje, vivemos um momento histórico de muita inconsistência entre aquilo que se fala e aquilo que se faz. Estamos no apogeu da crise da separação entre a ortodoxia e a ortopraxia. A ilha da incoerência tem separado a doutrina da prática, a fé da obra, a graça da ética.
Existe um divórcio sem paralelo, nunca visto na história da igreja, entre o conhecimento e a prática. Atualmente, o mundo contemporâneo é o mundo dos paradoxos. As ações são contraditórias e as atitudes são ambíguas. O saber tem sido um tipo de poder muito distante do fazer. O saber sem prática depõe contra a nossa cosmovisão cristã. Não adie o casamento do conhecimento com a prática. Procure comprovar aquilo que você conhece por intermédio 
daquilo que faz.
Precisamos autenticar a nossa ortodoxia com a nossa ortopraxia. O saber bíblico só tem relevância quando é praticado. A verdadeira felicidade não tem como alicerce o acúmulo de conhecimento. Você tem colocado o seu conhecimento numa dimensão concreta da vida? Como posso ser feliz? De acordo com Cristo, felizes são aqueles que praticam aquilo que sabem. 
Referência para leitura: João 13.1-38
Extraído de: Cada Dia
Rev. Jonas M. Cunha

domingo, 8 de junho de 2014

SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO

“Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo...” Mateus 5. 13, 14





Os logotipos que todos nós conhecemos, como por exemplo, o “M” dourado da rede Mac Donald’s, servem para identificar e divulgar a empresa. Logotipo é definido como “arranjo visual distinto de letras no qual empresas e organizações são prontamente reconhecidas pelos clientes” (answers.com).
Após apresentar as conhecidas “bem-aventuranças”, que são descrições das qualidades que devem ser encontradas na vida dos cidadãos do reino de Deus, que terminam falando dos “perseguidos por causa da justiça” e “por minha causa” (MT 5. 10 e 11), Jesus resume todas estas qualidades que podem ser vistas na vida de Seus seguidores usando a metáfora do sal e da luz. Por causa destas características, os discípulos de Jesus deviam ser facilmente identificáveis.
A mais evidente característica geral do sal é que ele é essencialmente diferente do meio em que é posto. O poder do discípulo está precisamente na diferença que existe entre o cristão e os outros homens no mundo. Além disso, outra função primária do sal é preservar, deter a deteriorização, agir como um antisséptico. Os discípulos são chamados a ser como um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos ou mesmo inexistentes.
Entretanto, os discípulos de Cristo não devem, sob pretexto de ter medo de exercer uma influência indigna, permanecer silenciosos a respeito de sua religião. Eles podem e devem dar testemunho da fé que possuem através de seu exemplo pessoal. Esta é a verdade sublinhada pela metáfora “luz do mundo”.
Os discípulos não devem se esconder, mas viver e trabalhar em lugares onde sua influência seja sentida e a luz que neles haja seja mais plenamente manifesta a outros – não para glorificação própria, mas para outros possam ver que a luz da verdadeira excelência cristã vem de Deus. Os seguidores de Cristo devem ser visíveis e radiantes.
Somos então o logotipo de Deus neste mundo. As pessoas têm visto Deus através de sua vida?    
 Rev. Jonas M. Cunha

domingo, 1 de junho de 2014

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA...?

“Disse Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca esmorecer.” Lucas18.1



Mentiras são mais convincentes quanto estão muito próximas da verdade.  Fala-se hoje em dia que “a fé move a mão de Deus em nosso favor”. Isso não é verdade, embora pareça.
 O que Jesus ensinou na parábola do juiz iníquo é que devemos orar sempre, persistentemente, sem desanimar ou, de exaustos, desistir. Mas Jesus não ensinou que se assim procedermos vamos manipular a vontade de Deus de forma que atenda aos nossos caprichos.
 Jesus ensina que “Deus fará justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defende-los” (Lc 18.7).
 Orar faz bem. Orar dia e noite, insistentemente, torna-nos pessoas melhores. Torna-nos filhos de Deus mais parecidos com o Pai. A demora na resposta não pode ser desestímulo, tampouco sinal de fraqueza. Precisamos nos submeter à vontade de Deus sem que isso nos torne pessoas derrotadas.
 Encontrar o Senhor em nossas orações: isso é, de fato, o de que mais precisamos. Ao buscar a bênção de Deus, o encontrei... e a minha alma sentiu paz.
 Pai, ensina-me a orar como convém. Dá-me a virtude da persistência na oração, para que eu te conheça na intimidade. Em nome de Jesus. Amém.
 Rev. Jonas M. Cunha
Extraído de Cada Dia – nov/12

quinta-feira, 29 de maio de 2014

BUSCANDO DIREÇÃO DE DEUS NO LAR

“Então, Manoá orou ao Senhor...” Juízes 12.8a


O livro de Juízes apresenta a situação em que o povo de Israel em sua vida espiritual cheia de altos e baixos, e as conseqüências deles se afastarem do caminho de Deus, o agir disciplinador do Senhor e o livramento através de um juiz, levantado por Deus.
A mesma coisa ocorre no capítulo 13, onde encontramos a família de Manoá, num momento em que o povo de Israel está sendo oprimido pelos Filisteus.
Deus envia um mensageiro para trazer alegria ao casal e a nação.  Haveria de nascer um menino através da mulher de Manoá, que era estéril, e este menino seria nazireu, consagrado ao Senhor desde o ventre materno até sua morte, e por ele o Senhor começaria a livrar Israel das mãos de seus inimigos.
Israel estava sofrendo porque havia desobedecido a Deus, se afastado do Seu caminho. Quantas vezes nós também não sofremos por culpa nossa mesma, como conseqüência de nossas atitudes, palavras, ações ou omissões?
A notícia que o mensageiro traz deixa a mulher emocionada: “ conceberás e darás à luz um filho” (v.3). Assim como aconteceu com Sara e Abraão e com Zacarias e Isabel. “Acaso para o Senhor há cousa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14a). Assim como queria mudar a sorte daquela mulher, queria mudar a sorte de seu povo!
O anjo instrui a mulher. Esta por sua vez conta ao seu marido que acreditou e confiou nela. Dar ouvidos é mais do que só escutar, é dar tempo, é aceitar, é transmitir a idéia: “você é importante para mim!” Ele era um marido que ouvia e confiava na esposa. Tanto que ele “orou ao Senhor” (v.8), e pediu que o Senhor enviasse o mensageiro novamente.
Manoá se preocupou com a criação de seu filho. Não deixou toda a responsabilidade para sua mulher. Interessou-se e buscou a direção de Deus. Muitos pais ficam contentes em receber elogios sobre os filhos, mas não querem participar de sua criação! O pai tem papel importante na vida emocional, mental e espiritual, além do sustento de seus filhos. No livro “A diferença que o pai faz”, da Editora Candeia, os autores apontam para a grande falta que os filhos sentem do pai e as grandes dificuldades que a ausência ou indiferença nos pais causa.
Deus não deu filhos no lar para serem criados apenas pela mãe, sem a participação do pai. A criação de filhos é um trabalho que deve ser feito em equipe, e o pai é chamado a assumir um papel de liderança na vida espiritual: Efésios 6.1-2, e especialmente o verso 4; Provérbios 4. 1, 3 e 4, e Jó 1. 4 e 5 mostram isto!
Deus ouviu a oração de Manoá e enviou Seu mensageiro novamente. Ele acreditou em sua palavra e disse: “quando se cumprirem as tuas palavras, qual será o modo de viver do menino e o seu serviço?” (v.12).
Só quando o mensageiro se retira para o céu, é que eles percebem que era o “anjo do Senhor”, uma teofania (Deus se apresentando em semelhança de homem). Ele veio ao encontro do ser humano para lhe mostrar sua graça e misericórdia. E Sua palavra se cumpriu e o menino nasceu e o Senhor o abençoou.
Com que freqüência você tem buscado a direção de Deus para a vida no seu lar?
     Rev. Jonas M. Cunha

ALEGRIA E TRISTEZA NO LAR

“Temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” Jó 2.10 b


É ilusório pensar que um casal que contrai matrimônio nunca passará por problemas. A vida no lar é composta tanto de momentos alegres quanto de momentos tristes.
O capitulo 4, do 2º livro dos Reis, do verso 8 a 37, narra a história de Eliseu e uma família, com a qual ele teve contato. Um lar que foi instrumento par abençoar a vida do “homem de Deus” e o seu trabalho para Deus.
Primeiramente, vemos a hospitalidade, através da “mulher rica”, no v. 8, como uma qualidade ou característica presente naquele lar, quando ela constrange Eliseu a comer pão e a partir daí “todas as vezes que passava por lá, entrava para comer”. Verificamos a preocupação, o zelo e a sensibilidade para com a obra de Deus e para com Seu servo.
Outra característica é que ela não ficou apenas com desejo de ajudar, ou na área do sentimento (dó). Desejando colaborar com o servo de Deus e Sua obra, ela age, toma iniciativa. O texto diz que ela “falou com seu marido” (v.9). Apesar de ser rica, ela era casada. Não foi contratando um pedreiro, não atropelou a autoridade de seu marido, antes, conversou com ele, buscou o seu apoio e a sua aprovação, e assim, mais uma vez o seu lar foi instrumento de Deus, e eles construíram um aposento para o servo de Deus, onde ele pudesse descansar e refazer as forças.
O homem de Deus, então, quis demonstrar sua gratidão e consideração e pergunta a sunamita, “o que se há de fazer por ti?” (v.13). Mas ela não buscava favor, não tinha ajudado por interesse, mas com alegria de coração (2 Co 9.7). 
O profeta lhe diz: “daqui a um ano, abraçarás um filho” (v.16). Como ela era estéril, esta notícia fez o seu coração bater mais forte, e no tempo determinado ela deu à luz um filho, o que trouxe grande alegria, não somente a ela, mas também ao seu marido e a toda sua casa.
Mas, certo dia, quando o já havia crescido para acompanhar o pai no trabalho de colheita, ele começa a passar mal e é enviado para sua mãe, no colo da qual ele morre (v.20). Aquele que tinha sido o motivo de maior alegria na vida daquela família, era agora o motivo de maior tristeza!
Deus não nos dá apenas o bem aos nossos lares, mas também permite o mal (Jó 2.10 b). Em Sua soberania ele não está limitado apenas pelas coisas boas, mas pode usar até coisas más. Tudo está sob Seu controle (Gn 50.20; 45.8).
A mulher guarda silêncio e vai, e busca a Deus (v.25). Não se lamenta, não reclama, e não cai em depressão, mas controla-se até poder lançar sua ansiedade sobre aquele que podia resolver seu problemas (Fp 4.5-7).
Eliseu a acompanha de volta para casa e ressuscita o menino. Não um ressuscitamento cardiopulmonar, mas um verdadeiro milagre. Assim como Jesus se compadeceu de nós, que estávamos mortos em delitos e pecados e veio nos trazer vida (Ef 2.1; Jo 10.10b). Ele voltou com ela para trazer de volta vida e alegria àquele lar, uma alegria maior do que a primeira. Assim como a alegria do pai do filho pródigo (Lc 15.32).
Deus permite problemas e tristeza para surpreender-nos com Sua graça superabundante (Is 55.8, 9).
Rev. Jonas M. Cunha

EDUCAR SEMPRE

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” João 15.13


Muitos de nós, com filhos já casados e com netos, podem pensar: Não temos mais responsabilidade de educar ninguém. Nossos filhos já cresceram. São responsáveis por eles mesmos. Evidentemente, nesse caso, a nossa responsabilidade não é mais a mesma de quando nossos filhos eram menores, porém, nós ainda somos pais e eles ainda são nossos filhos. E ninguém é perfeito.
 Diálogo, aconselhamento, orientação e até advertências, alicerçados na Verdade Eterna devem ser atitudes espontâneas no relacionamento entre pais e filhos, sem, porém, intrometer-se na vida deles. Isso só iria atrapalhar o relacionamento.
 Nossa experiência de vida pode servir de guia para nossos filhos já crescidos, e o papel dos avós é importante no desenvolvimento emocional das crianças. E é aí, então, quando estamos mais velhos e mais cansados, que devemos demonstrar aos nossos filhos e netos a serenidade que uma vida norteada pelos ensinamentos de Cristo nos deu.
 Mais do que os carinhos e mimos que naturalmente dispensamos aos nossos queridos, o exemplo de retidão, de tolerância e de alegria por amor a Deus serão as referências mais significativas para o fortalecimento da fé daqueles que mais amamos.
 Pense: A educação dos filhos desconhece limites de idade!
 Extraído de Cada Dia (Mai/2005)
 Rev. Jonas M. Cunha

terça-feira, 6 de maio de 2014

... E SEUS IRMÃOS

“Todos estes perseveraram unânimes em oração, com as mulheres, 
com Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” Atos 1.14



Para todos com um membro próximo de sua família que não seja de Cristo, Dr. Lucas incluiu uma maravilhosa surpresa no primeiro capítulo de Atos. Entre os reunidos para orar nos dias após a ascensão de Jesus aos céus, Lucas mencionou Maria, a mãe de Jesus, e Seus irmãos (At. 1.14).
 Esses mesmos irmãos cresceram com Jesus em Nazaré (Mt 13.54-55). Eles chegaram a querer tomar conta de Jesus no começo de Seu ministério, porque erroneamente pensavam que Ele estava fora de Si (Mc 3.21, 31-32). E, sarcasticamente, mandaram que Jesus iniciasse sua “carreira” em Jerusalém, ainda que se recusassem a segui-Lo (Jo 7.1-5).
Como em muitos lares de hoje, a própria família de Jesus estava dividida pela questão de acreditar nEle. Nosso Senhor experimentou a tristeza, a falta de compreensão e até o conflito que pode resultar quando os familiares estão divididos em matéria de fé. Mas, em dado momento do qual não somos informados, Seus irmãos passaram a crer nEle como seu Senhor e Messias.
 Não podemos compelir nossos familiares a receber nosso Salvador, mas podemos continuar a amá-los e a orar por eles. E podemos permanecer confiantes que Deus ainda irá providenciar maravilhosas surpresas.
 Deus ama nossos amados perdidos mais que nós mesmos.
 Extraído de Pão Diária- v. 2
Rev. Jonas M. Cunha

segunda-feira, 28 de abril de 2014

OS PERSEGUIDOS

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus..” Mat 5.10


Depois de se comprometer com Cristo, chorar por seus pecados, entregar tudo nas mãos de Deus, buscar uma vida de santidade, expressar misericórdia e pureza de coração e vir a ser um pacificador, começamos a pensar que tal pessoa é digna de gozar tranqüilidade e paz, mas Jesus afirma que agora vem a perseguição. Que bem-aventurança é essa? Isto pode ser motivo de alegria?
I – Para quem é esta bem-aventurança?
Jesus diz que a alegria é para os perseguidos, mas não para alguém que sofra qualquer tipo de perseguição (falta de sabedoria ou por razões político-religiosas). Jesus se refere aos justos (v.10 e 11),  que estão procurando realizar a vontade de Deus. Como conseqüência de um comprometimento com o Senhor (Jo 15.18-20; 2 Tm 3.12).
II – Por que os justos são perseguidos?
Basicamente porque eles são diferentes. O seu modo santo de viver provoca a ira daqueles que vivem para si mesmos, vítimas de seus desejos e paixões. Por isto os fariseus sentiam tanta inveja e ódio de Jesus. O grande perigo do qual Jesus nos exorta a tomar cuidado não é sermos perseguidos, mas o de sermos elogiados pelo mundo (Lc 6.26).
III – Como os justos podem reagir diante da perseguição?
Na hora da perseguição, calúnias, chacotas, seremos tentados a revidar, mas devemos lembrar que a vingança pertence ao Senhor (Rm 12.19). Seremos tentado a explodir ou ficarmos deprimidos, mas o exemplo que Jesus nos deixou é que devemos nos “entregar àquele que julga retamente” (1 Pe 2.23) e nos alegrarmos.
IV – Por que os perseguidos devem se alegrar?
A razão da alegria não é pelo perseguição em si (isto seria masoquismo). Além disso a perseguição em si é obra de Satanás, e devemos por isso mesmo lamentar que ela aconteça. Mas a razão da alegria é que:
a) Ela demonstra quem são os perseguidos – servos do Rei. Só os verdadeiros cristãos são perseguidos por causa da justiça.
b) Ela aponta para onde vão os perseguidos – “nos céus” (v.12). Não somos deste mundo. Estamos aqui de passagem, como embaixadores.
c) Ela revela a recompensa dos perseguidos: “grande é o vosso galardão” (2 Co 5.10; 2 Tm 4.8)
Rev. Jonas M. Cunha – Adaptado.

terça-feira, 22 de abril de 2014

OS PACIFICADORES

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus..” Mateus 5.9


O primeiro sentido da palavra “pacificadores” é que estes são os que efetuam a paz entre Deus e o homem, por meio de Cristo, pela proclamação aos homens da reconciliação do evangelho (2 Co 5.20). Mas há também referência aqui à paz estabelecida entre homem e homem. “Eles têm paz com Deus e a semeiam” (Bíblia Vida Nova).
 Aqui é pronunciada uma benção sobre todos aqueles que, tendo recebido para si mesmos a reconciliação com Deus por meio da cruz, agora procuram, por meio de sua mensagem e conduta, ser instrumentos para comunicar este mesmo dom aos outros. Por meio da palavra e do exemplo, esses pacificadores (que amam a Deus, amam uns aos outros e até mesmo aos seus inimigos), também promovem a paz entre os homens.
Num mundo sem paz (pois as pessoas se distanciaram de Deus), essa bem-aventurança revela que o cristianismo é uma força “relevante”, vital e dinâmica. A “Igreja” é incessantemente caluniada no sentido de que sua influência neste sentido é insignificante. Se empregarmos a palavra “igreja” em referência a uma instituição na qual prevalece uma ortodoxia morta, a acusação pode ser procedente. Mas se a referência é ao “rebanho de Deus”, ou seja, a soma de todas as gerações, religiões e raças que pelejam a batalha do Senhor contra o mal em prol da justiça e da verdade, a resposta é na forma de uma contrapergunta: “Sem a influência desse poderoso exército, as condições do mundo atual não seriam muitíssimo piores?” Não é a igreja o próprio salva-vidas no qual o mundo permanece flutuando?” (Veja o exemplo de Abraão intercedendo por Ló e Sodoma – Gn 18.26, 28-32).
Entretanto o evangelho da paz é ao mesmo tempo, a pregação do Cristo crucificado (1 Co 1.18). O homem, por natureza, querendo estabelecer sua própria justiça, não se senti inclinado a aceitar este evangelho (1 Co 1.23). Por isso, sua proclamação provoca uma guerra em seu coração.
Além do mais, esta não é uma paz a qualquer preço. Ela não é produzida comprometendo a verdade sob o disfarce do “amor”. Ao contrário, ela é uma paz preciosíssima para o coração de todos aqueles que são regenerados.
O título “filho de Deus”, é uma designação de elevada honra e dignidade, revelando com isso que penetramos na própria esfera de atividade do Pai (cooperadores).       
 Rev. Jonas M. Cunha – Adaptado.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

OS LIMPOS DE CORAÇÃO

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus..” Mateus 5.8


Devemos lembrar que as bem-aventuranças só são possíveis àqueles que já nasceram de novo e que elas demonstram o caráter do Filho de Deus vivendo Sua vida através dos nascidos de novo.
A ordem em que Jesus as colocou é de grande importância. Só pobre de espírito vai chorar pelo seu pecado e consequentemente adquirir mansidão por notar que tudo pertence a Deus. Vendo-se como nada diante deste Deus que é tudo, tem fome e sede de justiça (de santidade) e será farto. Então, como resultado, ele se tornará misericordioso, puro de coração e pacificador. E como consequência será perseguido por causa da justiça.
O SIGNIFICADO DE PUROS DE CORAÇÃO
                É evidente que Jesus está contrastando a pureza de coração com a pureza exterior dos escribas e fariseus. Em Mt 23.25 Jesus afirma: ”Ai de vós escribas e fariseus hipócritas. Porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes por dentro estão cheios de rapina e intemperança.”; e no verso 28: “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade”. Portanto o puro de coração tem colocado não apenas os seus atos diante de Deus para serem purificados, mas até os motivos e intensões. Não se preocupam apenas em não adulterar fisicamente, mas em nem mesmo “olhar para uma mulher com intensão impura” (Mt 5.28).
Jesus está ensinando que a verdadeira pureza não se trata apenas de atitudes diferentes que aprendemos a praticar, mas de uma mudança íntima provocada pelo Espírito que é Santo no mais profundo das intenções do crente. Jesus também ensinou que é do coração que procede toda sorte de coisas ruins: “Prostituição, impureza, lascívia, etc” (Mc 7.21-23).
Portanto a verdadeira pureza deve ser tratada bem no centro de nossa personalidade (coração), Pv 4.23. Porque ali está a fonte que vai jorrar água boa ou má. Não é tanto questão do que eu faço, mas do que eu sou.
COMO MANTER O CORAÇÃO PURO
1. Reconhecendo que temos um coração impuro, uma natureza decaída. Arrependendo-nos todas as vezes que estivermos fazendo algo com a motivação errada. 2. Sendo sinceros diante doas irmão. Não tentando impressionar ninguém com nossa máscara de “espiritualidade”. 3. Orando o Sl 51.10. 
Rev. Jonas M. Cunha – Adaptado.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

OS MISERICORDIOSOS

“Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia..” Mateus 5.7



Você é uma pessoa misericordiosa?
A palavra não traz só a ideia de “colocar-se no lugar do outros”, mas “perdoar completamente”, como Deus faz. O apóstolo Paulo, em Colossenses 3.13 nos esclarece em poucas palavras o que vem a ser alguém misericordioso. “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós”. Aquele que tem o caráter de Jesus há de agir como Ele agiu e esta pessoa receberá a misericórdia divina.
O profeta Miquéias impressionou-se com a misericórdia de Deus – Mq 7.18. Neste verso verificamos que perdoar é fator de alegria para Deus. Você tem prazer em perdoar? Quando você perdoa alguém você se esquece da ofensa que lhe foi feita, ou deixa sempre a outra pessoa presa a uma dívida de culpa para cobra-la cada vez que voltar a ofendê-lo?
“Alcançarão misericórdia” não significa que só serei perdoado “se” perdoar. Isto contraria a doutrina da graça, porque faz do meu perdão uma condição para o perdão divino. Na verdade Jesus está ensinando tanto aqui, como na oração dominical (Mt 6.12) que aquele  que foi alvo do perdão divino há de , inevitavelmente, ser um perdoador. Se assim não for este é um grande sinal de jamais ter conhecido o perdão de Deus.
Mateus 18.21-35 nos esclarece sobre o perigo de não sermos misericordiosos.
Corrie Tem Boom no seu livro “Andarilha para o Senhor” conta como após a 2ª Guerra Mundial ela se defrontou, na Alemanha, com um homem que tinha sido dos mais cruéis guardas no campo de concentração em Ravensburk, onde sua irmã morrera e ela estivera aprisionada. Alí na igreja agora ele estendeu-lhe a mão dizendo que agora ele era um cristão e que Deus o havia perdoado das atrocidades que fizera, mas ele gostaria que ela também o perdoasse. Após segundos que pareciam horas, em que ela manteve a mão ocupada para não estender, ela orou: “Jesus, ajuda-me! Eu posso levantar a mão, isto eu posso fazer; Tu supres o sentimento.” Ela afirma que quando estendeu mecanicamente sua mão aquele calor que cura inundou o seu ser e trouxe lágrimas a seus olhos. Disse ela então: “Eu o perdoo irmão, de todo meu coração”. Não era o seu amor, mas o amor de Deus derramado em seu coração que ela experimentava.
Rev. Jonas M. Cunha – Adaptado.